domingo, março 9

Ai as conchas, minhas queridas conchas... Parte 2

Bom, depois de um hiato de "uns quantos dias e umas poucas horas", como muitos diriam, vou continuar a história.
Então, estava eu, sentado no banco do cais com dois amigos meus (porque os pequenos prazeres da vida, como ver gaivotas a excrementarem, são melhor aproveitados quando fazemo-los em grupo), quando a idosa cessa o assédio do operário e volta a sua atenção para nós. E é nesta altura que reparamos que estamos lixados. Mas não é caso para tamaha preocupação, não é o fim do mundo (é apenas a extinção total da nossa sanidade mental). E a decadência reinicia:
- Está mau tempo, mas as ondas estão tao suaves, levam as conchas e deixam-as na praia...
- Pois, costuma acontecer isso nesta altura do ano. - responde um deles (não vou revelar nomes, porque o que está em causa é o sarcasmo da resposta, e não os nomes dos protagonistas).
- Eu sei, ainda hoje estive já desde as 9 da manhã até às 3 da tarde a apanhar conchas, caminhei mais ou menos durante 500 metros...
Nós nem respondemos, estávamos estupefactos com esta situação incrivelmente secante. E lá foi ela, a falar sozinha e a subir a fita que vedava o cais...
Por razões quase óbvias, acabo assim esta história de deseencantar. E aproveito para deixar um comentário.
^A culpa é da velha. A situação em que o país se encontra a nível de reformas, é óbvio que a culpa é dela. Então se os da 3ª idade passam 6 horas numa praia a procurar conchas quase sempre no mesmo sítio, não admira que este quer que passem o tempo a trabalharem. E o mais curioso é que, após a conversa, ela voltou p'ra praia...